
Fotos, imagens e descrição de algumas das espécies animais do mundo, ameaçadas de extinção pela ação depredatória do homem sobre o meio ambiente. Photos, Images, Animal Stories, Wildlife Conservation, True African Stories Etc.... Histórias verdadeiras passadas em Africa, retiradas do livro " Coletânea de Contos Africanos". Lista de Blogs Interessantes.




Um leopardo, à primeira vista, parece-se muito com uma onça-pintada. Porém, um exame mais detalhado mostra que sua padronagem de pêlo apresenta diferenças significativas. Enquanto a onça apresenta pintas em forma de rosetas, os leopardos têm manchas menores, escuras de cor sólida. Quando o leopardo é negro também se denomina "pantera". O leopardo possui uma longa cauda, que o ajuda a manter o equilíbrio ao subir em árvores ou ao fazer longas corridas em grandes velocidades, diferentemente da onça que não possui uma cauda longa.
Um leopardo geralmente caça impalas e por vezes gnus, ruminantes presentes na savana. O leopardo usa a sua imensa força e transporta a sua presa para o cimo de uma árvore para a tirar do alcance de outros predadores como os leões e as hienas. Um leopardo consegue carregar animais seis vezes mais pesados que ele mesmo.
Como símbolo do safari africano, pertence ao grupo de animais selvagens chamado "big five", correspondente aos 5 animais mais difíceis de serem caçados: leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte.




O leão (Panthera leo) é um grande felino, originalmente encontrado na Europa, Ásia e África. Tais felinos possuem coloração variável, entre o amarelo-claro e o marrom-escuro, com as partes inferiores do corpo mais claras, ponta da cauda com um tufo de pêlos negros (que encobrem um esporão córneo, para espantar moscas) e machos com uma longa juba. Há ainda uma raridade genética de leões brancos, que, apesar de sua linda aparência, apresentam dificuldades de sobrevivência por se destacarem nas savanas ou selvas, logo, tendo imensas dificuldades de caça. São exclusivos da reserva de Timbavati.
Os leões estão muito concentrados atualmente nas savanas reservadas, onde caçam principalmente grandes mamíferos, como antílopes, zebras, búfalos e javalis; entretanto, um grupo pode abater um elefante que esteja só. Também é freqüente o confronto com hienas, estando estas em bandos ou não, por disputa de território e carcaças.
O leão é apelidado de o "rei dos animais" por se encontrar no topo absoluto da cadeia alimentar terrestre (entre animais irracionais, por óbvio). Não obstante, são os felinos mais sociáveis do mundo: um grupo pode possuir até quarenta indivíduos, composto na maioria por fêmeas.
O leão apresenta 15 subespécies, algumas delas extintas.
O leão macho é facilmente reconhecido pela sua juba. No entanto, existe em Angola uma subespécie quase extinta, em que nenhum dos indivíduos possui juba. Seu peso varia entre as subespécies, num intervalo de 150 kg a 250 kg, raramente ultrapassando esse peso na natureza. As fêmeas são menores, pesando entre 120 kg e 185 kg. São dos maiores felinos vivos, menores apenas do que os tigres-siberianos e, ocasionalmente, alguns tigres-de-bengala: os machos medem entre 260 e 330 cm, e as fêmeas, entre 240 e 270 cm. Podem correr numa velocidade aproximada de 50 km/h, mas somente em pequenas distâncias.
Quando filhotes, machos e fêmeas têm a mesma aparência; no decorrer do crescimento, os machos adquirem as jubas. Chegando à maturidade sexual, os machos novos optam por viver sozinhos ou disputar a liderança do grupo.
O território do leão em épocas históricas compreendia toda a África, Oriente Médio, Irão, Índia e Europa (de Portugal à Bulgária e do sul de França à Grécia).
Hoje ainda se podem encontrar leões na África sub-saariana, mas populações significativas só existem em parques nacionais na Tanzânia e África do Sul. A subespécie asiática consiste hoje apenas de cerca de 300 leões que vivem num território de 1412 km² na floresta de Gir, noroeste da Índia, um santuário no estado de Gujarat.
Os leões foram extintos na Grécia por volta do ano 100 d.C. e no Cáucaso, seu último local na Europa, por volta do século X, mas sobreviveram em considerável número até o começo do século XX no Oriente Médio e no Norte da África. Os leões que viviam no Norte da África, chamados de leões bárbaros, tendiam a ser maiores que os leões sub-saarianos, tendo os machos jubas mais exuberantes. Talvez viessem a ser uma subespécie de leão, o que não foi confirmado.
Esses grandes felinos vivem em bandos de 5 a 40 indivíduos, sendo os únicos felinos de hábitos gregários. Em um bando, há divisão de tarefas: as fêmeas são encarregadas da caça e do cuidado dos filhotes, enquanto o macho é responsável pela demarcação do território e pela defesa do grupo de animais maiores ou mais numerosos (como eventuais ataques de hienas, búfalos e elefantes).
São exímios caçadores de grandes herbívoros, como a zebra e o gnu, mas sabe-se que comem quase todos os animais terrestres africanos que pesem alguns poucos quilogramas. Como todos os felinos, têm excelente aceleração, mas pouco vigor. Por isso, usam tácticas de emboscada e de ação em grupo para capturar suas presas. Muitos leões desencadeiam o ataque a 30 metros de distância da presa. Mesmo assim, muitos animais ainda conseguem escapar. Para sobreviver, um leão necessita ingerir, diariamente, cerca de 5 quilos de carne, no mínimo, mas caso tenha a oportunidade, consegue comer até 30 quilos de carne numa só refeição. Isto acontece porque nem sempre os leões são bem sucedidos, e, logo, sempre que o são, aproveitam toda a carne disponível para não precisarem voltar a caçar tão cedo.
Apesar do fato das fêmeas efetuarem a maior parte da caça, os machos são igualmente capazes, se não melhores caçadores. Dois fatores os impedem de caçar tantas vezes quanto as fêmeas: o principal é o seu tamanho, que os tornam muito fortes, porém menos ágeis e maiores gastadores de energia; outro fator, de menor relevância, é sua juba, que sobreaquece os seus corpos, deixando-os mais rapidamente exaustos.
As fêmeas são sociais e caçam de forma cooperativa, enquanto os machos são solitários e gastam boa parte de sua energia patrulhando um extenso território. É sabido, porém, que tanto machos como fêmeas passam de 16 a 20 horas diárias em repouso, num regime de economia de energias, uma vez que seu índice de sucesso em caças é de apenas 30%.
As fêmeas precisam de um tempo extra para caçar, porque os machos não cuidam dos filhotes. As leoas formam bandos de dois a dezoito animais da mesma família, o que as caracteriza como o único felino realmente social. Apesar de a caça em grupo ser mais eficiente do que a caça individual, sua eficácia não é tão compensadora, já que, em grupo, é preciso obter mais alimento para nutrir a todos. É mais provável que a socialização das fêmeas vise a proteger os filhotes contra os machos.
Enquanto um leão faminto provavelmente irá atacar um humano que esteja próximo, normalmente os leões preferem ficar longe da presa humana. Alguns casos de leões famosos devoradores de homens incluem os leões de Tsavo (imortalizados no filme A Sombra e a Escuridão) e os leões de Mfuwe. Em ambos os casos, os caçadores que encararam os leões escreveram livros detalhando a "trajetória" dos leões como devoradores de homens. No folclore africano, leões devoradores de homens são considerados demônios.
Os casos dos devoradores de homens de Mfuwe e Tsavo apresentam algumas semelhanças. Os leões de ambos os incidentes eram todos maiores que o normal, não tinham juba e aparentavam sofrer queda de dentes. Alguns especulam que eles possam ser de um tipo de leão ainda não classificado, ou então que encontravam-se doentes e dessa forma não conseguiam abater presas.
Ainda foram reportados outros casos de ataques de leões contra humanos em cativeiro.
Desde a antiguidade o leão vem sofrendo extinções territoriais: Europa Ocidental (ano 1), Europa Oriental (ano 100), Cáucaso (século X), Palestina (século XII), Líbia (1700), Egito (década de 1790), Paquistão (1810), Turquia (1870), Tunísia e Síria (1891), Argélia (1893), Iraque (1918), Marrocos (1922), Irã (1942), dentre outras. Ainda no final do século XIX estava quase extinto da Índia.
Uma série de fatores se acumulam para ameaçar a continuidade da existência dos leões: seu número populacional reduzido, a constante redução de seus territórios e a caça indiscriminada são os principais. No continente africano, o mais grave fator a contribuir à sua extinção tem sido o abate retaliativo dos seres humanos: uma ampla cultura de gado favorece ataques ocasionais dos leões aos animais dos fazendeiros, que os perseguem e matam quando isso acontece. A caça, tanto ilegal como legal (pois é permitida em vários países do continente africano) também tem sido fator muito grave: por viver em grandes bandos e em áreas abertas, é mais fácil de ser caçado do que tigres e leopardos, pois sendo estes de mais difícil localização, torna-se o leão o maior alvo da caça indiscriminada.
Poucos animais possuem presença tão marcante como símbolo.


O javali (do árabe djabali, significando porco montanhês), também chamado javardo (Sus scrofa), é um mamífero artiodáctilo, da família Suidae de médio porte e corpo robusto. É a mais conhecida e a principal das espécies de porcos selvagens.
Tem ampla distribuição geográfica, sendo nativo da Europa, Ásia e Norte da África. Em tempos recentes foi introduzido nas Américas e na Oceania.
É o antepassado a partir do qual evoluiu o actual porco doméstico (Sus domesticus ou Sus scrofa domesticus).
Os javalis são animais de grandes dimensões, podendo os machos pesar entre 130 e 250 kg e as fêmeas entre 80 e 130 kg. Medem entre 125 e 180 cm de comprimento e podem alcançar uma altura no garrote de 100 cm. Os machos são consideravelmente maiores que as fêmeas, além de terem dentes caninos maiores. Na Europa, os animais do norte tendem a ser mais pesados que os do sul.
O corpo do javali é robusto e estreito, com patas relativamente curtas. Tem uma cabeça grande, triangular, com olhos pequenos. Os quartos dianteiros do javali são mais robustos que os traseiros, enquanto que no porco doméstico ocorre o contrário; a diferença se deve à intensa seleção por variedades de porcos domésticos com mais carne levada a cabo pelos criadores.
A boca é provida de enormes caninos que se projetam para fora e crescem continuamente. Os caninos superiores são curvados para cima, enquanto os inferiores, maiores ainda, chegam a ter 20 cm de comprimento. Os caninos são usados como armas em lutas entre machos e contra inimigos.
Ao contrário de certas raças de porcos domésticos, os javalis são cobertos de pelagem. Os pelos são rijos e nos adultos variam de cor entre o cinza-escuro e o acastanhado. Os filhotes apresentam cor de terra clara com listras negras, o que lhes dá uma camuflagem muito eficiente. A pelagem dos filhotes escurece com a idade.
Os javalis preferem bosques com bastante vegetação onde possam esconder-se, mas também frequentam à noite áreas abertas, assim como áreas cultivadas. Em sua ampla área de distribuição ocupam bosques temperados até florestas tropicais. Não ocorrem em desertos nem em alta montanha.
O javali tem ampla distribuição geográfica. Ocorrem na maior parte da Europa e no Norte da África, junto ao Mar Mediterrâneo. Na Ásia se distribuem pela Sibéria, Ásia Menor, Oriente Médio, Ásia Central, Índia, China, Japão e Sudeste Asiático até a Indonésia. Na Ásia estão excluídos das regiões desérticas e altas cadeias de montanhas.
Antes ocorriam ao longo do vale do Nilo até o Sudão, mas foram extintos nessa região há alguns séculos.
Na Europa os javalis foram muito caçados e levados à beira da extinção em várias regiões, mas nas últimas décadas os animais tem aumentado em número e até recolonizado áreas de onde haviam desaparecido. As razões da recuperação na Europa incluem êxodo das populações humanas para os centros urbanos com consequente diminuição de área cultivada, a reflorestação e a eliminação dos predadores naturais do javali, como o lobo e o lince.
Na Grã Bretanha os javalis foram exterminados ainda em finais do século XIII, mas na década de 1990 se reestabeleceram pequenos grupos selvagens na Inglaterra derivados de animais que escaparam de fazendas de javalis. Na Dinamarca e na Suécia os javalis foram extintos no século XIX, mas voltaram a partir dos anos 1970. Na região italiana da Toscana, onde o javali foi extinto devido à agricultura intensiva, foram detectados animais nos anos 1990.
Como em toda a Europa, em Portugal a população de javalis foi muito reduzida pela caça e destruição dos seus habitats, mas desde os anos 1970 tem havido um grande aumento em número. Ocorrem em grande parte do território continental português.
O número de subespécies de Sus scrofa é um assunto controverso, mas pode-se considerar que existam pelo menos quatro subespécies selvagens:
O porco doméstico é derivado do javali selvagem e é considerado por alguns autores como uma outra subespécie - Sus scrofa domestica.
O javali passa grande parte do dia fossando a terra em busca de comida. É um animal omnívoro, com preferência por matéria vegetal como raízes, frutos, bolotas, castanhas e sementes. Também invadem terras cultivadas, especialmente campos de batata e milho.
Os javalis também incluem animais em sua dieta, como caracóis, minhocas, insetos, ovos de aves e até pequenos mamíferos. Também consomem animais mortos.
O javali é de comportamento sociável, mas não é territorialista, ou seja, não marca territórios. Reúne-se em grupos matriarcais, normalmente com três a cinco animais, formados pelas fêmeas e suas crias, embora possam ser encontrados grupos superiores a vinte indivíduos. A javalina (ou gironda - a fêmea do javali, quando já madura) dominante é a de maior idade e tamanho. Os jovens machos de um ano, chamados barrascos, vivem na periferia do grupo.
Exceptuando-se o período de cio, os machos em idade reprodutora (barrões, varrões) são bem mais solitários, mas podem ser vistos acompanhados por um macho mais jovem, conhecido por escudeiro.
O grunhido do javali chama-se arruar.
O javali, durante o dia, é normalmente sedentário e descansa em tocas (malhadas), onde faz seu encame (a "cama" do javali chama-se mancha). Durante as noites é bastante ativo, chegando a percorrer distâncias consideráveis, que podem variar de 2 a 14 km por noite, normalmente ao passo cruzado ou ao trote ligeiro (J. Reichholf, 1995), enquanto nas corridas pode praticar um rápido galope que, sem embargo, pode manter por curto período.
Nos bosques utiliza quase sempre os mesmos caminhos para suas andanças, mas as fêmeas prenhes ou com crias tornam-se ainda mais sedentárias.
Os banhos na lama têm várias funções para os javalis. Uma função é regular a temperatura corporal, uma vez que os javalis não suam por terem glândulas sudoríparas atrofiadas. De igual modo se considera que os banhos de lama tem importante papel nas relações sociais da espécie, inclusive na seleção sexual. Enquanto no verão usam do banho na lama todos os javalis, sem distinção de sexo ou idade, durante a época do cio parecem reservados quase que exclusivamente aos machos adultos. Têm-se considerado [1] que estes banhos podem ajudar a manter os odores corporais sob um substrato estável como aquele proporcionado por uma camada de barro aderida ao pêlo.
Na Europa o tempo de reprodução vai de novembro a janeiro, quando os machos adultos solitários buscam fêmeas receptivas. Ao encontrar uma piara (grupo de animais de mesma ninhada), o macho começa por expulsar os jovens do ano anterior. Se necessário, luta contra seus rivais para conquistar as javalinas, em geral duas ou três, podendo alcançar até mesmo oito. As lutas pelas fêmeas podem ser ferozes: muitas vezes os machos terminam feridos pelos caninos dos rivais.
A gestação dura cerca de 110 dias, com os nascimentos ocorrendo entre fevereiro e abril. As ninhadas tem entre 2 a 10 leitões, que após uma semana já podem acompanhar a mãe em suas andanças. O desmame acontece aos 3-4 meses de idade.
A maturidade sexual é alcançada aos 8-10 meses, ainda que os machos jovens são impedidos de acasalar-se pelos machos mais velhos. O tempo de vida médio é de cerca de 20 anos em cativeiro.
Desde a Antiguidade Clássica à Idade Média, o javali foi sempre considerado como espécie cinegética de prestígio, especialmente os machos adultos, que eram vistos como o paradigma da coragem e bravura. Antes do advento das armas de fogo, o javali era caçado usualmente com um tipo de lança específico para o objectivo. A caça ao javali é ainda hoje em dia muito popular.
As referências culturais ao javali são abundantes desde pelo menos a Grécia Antiga.
Autor: João Carlos Mesquitela
Extrato do Livro do Autor " Coletânea de Contos Africanos"
Em 1979, fui convidado a participar de uma equipe especializada na captura e recondução de animais no Kenia.
Aceitei porque me pagavam relativamente bem, e porque participaria pela primeira vez, de um tipo de caçada diferente, cuja intenção não era matar, mas capturar animais vivos, enjaulá-los, cadastrá-los, medi-los, classificá-los para depois transferir para outras áreas, menos povoados, onde poderiam recomeçar suas vidas em liberdade e protegidas pelo homem.
Saí de Windoek com destino a Nairobi, numa viagem tranquila pela SAS onde me esperavam os Drs Kennet Smoth e Margareth Kwatta, biólogos chefes da missão, e que estão na lista de meus amigos mais próximos, fazia já alguns anos, quando, envolvidos em pesquisar determinado tipo de morcegos, nos embrenhamos em algumas cavernas a norte do Kenia, desconhecidas para nós.
Ouvíramos falar em determinado tipo de morcegos cujas características eram diferentes, do tipo Vampiro, pelo seu tamanho e aspecto.
Como cientistas que eram, me convidaram, o que achei interessante, apesar desse tipo de mamífero não me ser nem um pouco simpático.
Já dentro das cavernas depois de um dia inteiro andando subindo e descendo montes, a pé, tive a oportunidade de apreciar o magnífico espetáculo patrocinado por aquelas salas repletas de estalactites e estalagmites que brilhavam como cristais á luz dos lampiões e farolins que portávamos.
Incomodados em seu sossego, milhares de morcegos passavam por nós em voos rasantes deixando um cheiro nauseabundo.
Outros, mais afoitos, se penduravam em nossas roupas e mochilas, possivelmente na esperança de sugarem algumas gotas de sangue de nossos corpos, fui obrigado vezes sem conta, a afastá-los com a chama de meu isqueiro.
Mas, deixemo-nos de divagações e continuemos nossa pequena história.
Embevecidos com o maravilhoso espetáculo que a cada sala a natureza nos oferecia , as horas foram passando e Mag, pois era assim que gostava de ser chamada, capturou um dos animais, desenhou com habilidade suas formas e características e soltando-o em seguida.
Aproveitando ter na mão papel e lápis, perdeu alguns minutos traçando o desenho daquela sala em que nos encontrávamos, a mais espetacular até aquele momento.
Algum tempo passou, e, era hora de regressarmos ao acampamento base, porém, quando pensamos que iríamos sair pela abertura por onde tinhamos entrado, as chuvas torrenciais criaram um deslize de pedras e terra que obstruiu o acesso.
Com frio, devido á humidade caracteristica do ambiente, regressamos ao ponto onde antes estiveramos, na sala dos orgãos, conforme se convencionou chamá-la e decidimos passar ali a noite aguardando que fosse dia, para podermos ver, se haveria ou não outra saída.
Encontramos alguns gravetos no chão e curiosamente verificamos que os morcegos entravam e saiam por uma única abertura numa das paredes laterais, o que nos deixou mais esperançados de encontrar uma saída no dia seguinte.
Apesar da dificuldade em acender os gravetos, bastante húmidos, com a ajuda dos excrementos dos morcegos, um ótimo combustível apesar do cheiro pestilento que exalavam, passamos uma noite tranquila, e, aquecidos.
Logo que o dia raiou, verificamos que nossa teoria estava certa e em breve estávamos respirando ar puro, quase do lado oposto da montanha e do local por onde havíamos entrado no dia anterior.
Três longos anos se haviam passado desde então, mas, apesar de minhas andanças por Africa, jamais deixei de manter contacto com eles.
Percorrendo o caminho para o Parque Nacional, já em Nairobi, fui posto a par do trabalho que estavam desenvolvendo, programa esse patrocinado pelo Governo local, pressionado com toda a certeza pela opinião pública mundial, no intuito de salvar alguns leopardos que, na área, apesar dos esforços dos guardas e da polícia, estavam em quase extinção por ação de caçadores de peles clandestinos.
Iniciamos logo nosso trabalho, passando uma revisão ás armadilhas mecânicas colocadas em diversos pontos estratégicos do parque. Eram vinte e uma ao todo. E recolhemo-nos para jantar e conversar um pouco, matando saudades de três anos de ausência.
No dia seguinte, ao rastrear as armadilhas, preso em uma delas, um leopardo bébé, tentava libertar-se das grades que o prendiam, soltando miados desesperados. Não teria mais de seis meses. Portanto mamava, e com certeza sua mãe se encontrava por perto, se não fora abatida.
Com cautela, tomando todos os cuidados para que não tivéssemos alguma surpresa, aproximei-me da armadilha e estendi a mão para o animalzinho que assustado reagiu violentamente, Atacando com as garras em riste.
Resolvemos não forçar e mandamos que carregassem a jaula para o jeep.
As outras armadilhas estavam livres.
Durante uma semana inteira, tentamos alimentar o bichinho, que não aceitando nossa presença, se negava em tocar no que quer que fosse que ali deixássemos, ameaçando atacar mostrando suas garras afiadas.

Tudo tentamos para que a oncinha se mostrasse um pouco mais amigável. Os dias foram passando, e algo realmente nos começou a intrigar, se o animal não se alimentava, como podia manter seu vigor físico, não apresentando qualquer sintoma de fraqueza, antes pelo contrario, estava forte e sadio e cada vez mais violento.
Resolvemos então investigar o que se passava, pois não era natural o que acontecia, assim, se decidiu que passaríamos a ficar de tocaia, um por vez, dia e noite. Como era o primeiro dia, entricheirados dentro de um grande container, onde colocamos três cadeiras, mandamos abrir umas brechas nas laterais, de onde, com segurança e sem ser vistos, ficamos aguardando os acontecimentos.
O Dr Kennet transportou para ali sua câmara de video, equipada de infravermelhos, a fim de podermos registrar qualquer anomalia e dispusemo-nos a esperar.......
Tivemos então, a oportunidade de observar, algumas horas depois, algo que nunca poderia passar sequer por nossas mentes, algo que reputamos de fantástico, de extraordinário, que nos surpreendeu e enterneceu de verdade!
Eram cerca de duas horas da manhã, o céu sem nuvens e a lua cheia deixava tudo ao redor com um brilho nacarado, a luminosidade nos permitia observar até bastante longe, quando, uma sombra esguia e furtiva, extremamente cautelosa, avançava a cerca de três metros de distancia sem ruído, protegida por suas patas almofadadas, e se dirigia diretamente para a jaula onde se encontrava nosso pequeno leopardo.
Contendo a respiração, cada um de nós, olhava pelas frestas, e observamos como a sombra, deu algumas voltas em redor da jaula, depois parou, olhou para nós como que pressentindo algo diferente, escutou por alguns momentos, e depois com as patas tentou abrir as grades.
Não conseguindo seu intento, deitou-se o mais junto possível, ajeitou-se e literalmente de ladoí colada ás grades, ofereceu suas tetas a oncinha que se deliciou quanto pode, direi mesmo, até cansar, depois, saciado, levantou-se e tentou com a patinha brincar com sua mãe que se limitou apenas a cheirá-la uma vez mais, e tão reptíciamente como chegara, partiu.
Emocionados, olhamos uns para os outros, como a querer sentir na realidade e na escuridão em que nos encontrávamos os sentimentos porque cada um de nós passava naquele momento.
Abrimos nosso abrigo, quando o Dr. Kennet, levou a mão á testa e soltou um palavrão.
Olhamos para ele, que apontou a câmara de video que ali ficou sem funcionar, pois nos esqueceramos de ligar.
Decidimos então, deixar o animalzinho no cativeiro mais um dia, para podermos gravar estas imagens.
De novo a cena se repetiu, só que desta gravamos as imagens tão esperadas, das quais eu tenho uma fita que não me canso de vêr e guardo com carinho especial.
O amôr maternal não é só apanágio do ser humano, o mesmo sentimento se reflete, talvez até, com mais ardor, entre os mais sanguinários animais selvagens.

Restava para nós, ainda fazer algo, capturar a mãe!
Colocamos uma rede no chão, cobertas de folhas, exatamente no local em que sabíamos ir alimentar seu filhote.
Uma vez aprisionada, colocamo-la na mesma jaula de seu filhote.
Tão impressionados ficamos com a atitude desta mãe, que resolvemos levá-la nós mesmos a seu destino, o que implicou numa viagem de três horas de helicóptero.
No momento em que, já no destino subi na Jaula e levantei a porta para que os nossos hóspedes pudessem finalmente sair e viver em liberdade e segurança vi, que no rosto negro da Dra Margareth, brilhava uma lágrima furtiva..... de felicidade.
Posted by joão Carlos Mesquitela às 20:09
Pergunte a qualquer caçador profissional que tenha vagueado por essas partes e ele vai indubitável contar-lhe que o sul selvagem do terreno do Lago de Cabora Bassa no centro de Moçambique não é que um lugar esperto para se procurar um leopardo. É país grosso, pleno de ravinas engasgadas com espinhos. Lugares demais para um leopardo se esconder. Mesmo assim, PH ( Caçador Professional) Wayne Williamson ofereceu-se para ajudar um colega guia a pistar um no verão passado. Aqui está a sua história.
Em meados de Agosto de 2006, nas margens do Lago de Cabora Bassa no centro de Moçambique, o caçador profissional (PH) Wayne Williamson estava a relaxar no acampamento, bebericando uma cerveja fria e a observar o por do sol.Enteado do falecido Basil Williamson (um perito de elefantes e uma figura lendária no Departamento de Caça Rodesiano, depois Departamento de Caça Zimbabweano), Wayne tinha estado na mata toda a sua vida. Tinha feito o seu velho orgulhoso, e era (é) um dos mais apreciados PH que sairam da escola do Zimbabwe. Nesse dia ele tinha acabado de dirigir um safari numa secção de terreno conhecido como a Concessão Bower.
Aproximadamente a três milhas de distancia, um leopardo dava a volta a uma árvore com isco enquanto o PH francês Yann Le Bouvier e o seu cliente observavam de um tapume a 45 metros de distancia. A medida que o sol descia, os caçadores ouviram o sussurrar de folhas, então o som irritante de garras em casca, e num lampejo o gato estava la em cima, de pe de lado por cima do isco e a pesquisar a área. Satisfeito que a costa estava limpa, belamente em silhueta, olhou para baixo para a carne e aprontoo-se para comer.
Yann levantou os seus binóculos e verificou para ver se era um macho, então indicou o tiro. O cliente agachou-se por detrás do seu binoculo e tirou uma mira na melancolia do por do sol. A espingarda rugiu. Havia um breve, frenético movimento, a forma turvada do salto do gato para fora da árvore, o ruido surdo dos seus pés macios a baterem no chão, então silêncio, e o leopardo tinha-se ido.
De volta ao acampamento os caçadores decidiram que, por causa da escassez de hienas na área, o corpo seria dispensado das atenções indesejáveis dos rapinantes se o animal morre-se durante a noite, e portanto que uma duplamente perigosa persegiuição de noite era desnecessária. Todos concordaram em bater a pista a primeira coisa de manhã. Foi Wayne se ofereceu para dar uma mão. Aqui está a história do que aconteceu a seguir, como contado por Wayne ao escritor Hannes Wessels.
"Achamos alguns dos seus pontos altos de repouso ao longo do caminho, mas nenhum actual avistamento, e as 3,30 da tarde nós fizelos uma paragem na sombra. Eu não estava optimista; os babuínos, que tinham feito muito barulho a maior parte do tempo, tinham ficado muito calmos. Com eles relaxados era um sinal forte que o animal ferido estava perdido para nós.
"Corremos para dentro mas fomos atrasados pelos espinhos que nos rasgavam. Mantive um olho onde os babuínos aterrorizados pulavam nas árvores como um indicador para onde o leopardo tinha corrido. De repente eu vi o felino, baixo no chão, correndo rapidamente em direção a nós. Parei, dedo firme no gatilho, e esperei por ele. Então ouvi-o rosnando zangadamente e compreendi que ele, tambem, estava ecravado no matagal, e que tinha trazido a sua carga a um fim e o parado de se chegar a nós. Então, tão repentinamente como ele tinha aparecido, desapareceu. Eu mal peguei uma olhada quando ele fugia de nós, mas agora sabia que os dados estavam definitivamente contra nos e a pressão tinha começado.
"Ouvi-o mandar um tiro quando, todo num lampejo e uma mancha passageira, o gato estava sobre mim. Disparei e fui atirado para trás quando o leopardo se atirou sobre mim. Lutei por recuperar o meu balanço e os meus sentidos. Algo aturdido perdi contacto com o gato por um segundo. Recarreguei rapidamente, então girava a volta procurando onde ele estava quando, com velocidade incrível e força impressionante, ele estava sobre mim outra vez e tirou com uma sapatada a espingarda das minhas mãos
"Com as suas mandíbulas abertas e os seus enormes incisivos brilhando a polegadas de distancia de rasgar o meu rosto em pedaços, eu empurrei o meu braço directamente na sua boca, forçando a sua cabeça para longe da minha. Nestas circunstancias eu estava bastante feliz em deixá-lo mastigar nele e arranjar um bocadinho de tempo. Por esta altura, sangue bombeava para os meus olhos e para baixo das minhas costas. Era estava ifectivamente escalpado, e pele das costas da minha cabeça estava pendurada sobre os meus olhos. Desesperado, achei força suficiente para erguer o gato para longe de mim. Rápido como um raio Yann agarrou a possibilidade e disparou, derrubando o leopardo, então ele disparou outro tiro que o matou.
"Sangue bombeava para fora da minha cabeça, mas recuperei a minha visão quando tirei a pele dos meus olhos. Eu fiquei fui aliviado de ver o leopardo deitado imovel. O Yann portou-se bem; se atira-se mais cedo havia uma possibilidade boa que ele me atingisse a mim no processo. O que estava claro era que o chumbo que eu usava, à parte de algumas bolinhas no ombro e lado, tinha tido pouco efeito. Uma lição aprendida acerca de caçadeiras e a sua eficacia contra leopardos feridos.
" Simon Rodger, para quem eu trabalho, recebeu a mensagem, levantou voo quase imediatamente e voou para Kanyemba (na fronteira de Moçambique). No acampamento eu pus a minha cabeça num balde e encharquei as minhas ferida num forte anti-séptico, então, tendo embrulhado a minha cabeça numa toalha, saltei para um barco para a viagem de uma hora para cima do lago para Kanyemba na fronteira.
Procurei e não encontrei, por estar esgotada a edição de Coletânea de Contos Africanos, alguém me sabe informar onde ainda encontrarei?
Sou fã numero um de Africa, apesar de nunca ter estado lá, e estas histórias, que eu uso profissionalmente em minhas aulas, sou professora,são um exemplo de preservação da nossa maior riquesa´A Vida.
Contato par ErmenegildaSoares@uol.com
imagino a emoção dos protagonistas desta história, eu chorei de emoção e alegria ao ler este relato. publiquem mai, e coloquem mais fotografias, só está faltando neste site, imagens em vídeo
Vila Nova de Mil Fontes
Portugal
Eduarda Real
Se todas as histórias africanas terminassem deste modo, aquela parte do mundo seria um paraíso, aqui, no Brasil, onde vivo, por falta de atitude do Governo ( qualquer Governo), estamos condenados a ver nossa Fauna e Flora destruida pela ambição de poucos e em prejuizo da maioria.
Por favor publiquem mais histórias desse autos, que me emocionou com seus relatos. obrigado
Maria Júlia Pereira Sampaio
Rio Grande do Sul